«p m^ wmÊmm mmmmm. fidelíssima LUSITÂNIA LIVRE JÁ DA TYRANNIA I>OS PÉRFIDOS FRANCEZES ODE PINDARICA P.OR JOSÉ DE GÓES. PresòyUro da Cffngregaçâo do Oratório de Pernambuco^ RIO DE JANEIRO. 1809. A IMPRESsXo RE61A. Por Ordem de S, A. R, jmmmmmMw- Lysia será qual foi , qual he uv Globo Mãí d'Heroes , das ilações a flor , o eSmalte , Da Virtude esplendor , da Gloria Templo , Pamposo Torreão de férrea base Lysia embraça o pavez d'eternos Fados ; Sg Lysia baquear , baquea o Mundo: Hum Deos não he perjuro , hum Deos não mente. Bocage, ^ '^ o ODE. s ESTROFE I, A L V E , Pátria d'Heroçs , Lysia famosa , De valentes Guerreiros berço illustre , Que nos antigos tempos Já com immeaso lustre- Triunfante , gloriosa , Sempre a teus inimigos respeitável , Foste aos seus Esquadrões inexpugnável, antístrofe I. Tu em meu peito atca a nobre chama , Em que inflammar costumas diligente A gentil valentia Da bellicosa gente , Que em teu amor s'inflamnia , Porque possa cantar com voz sonora A , que fizeste , acção bclla , decora. E P O D O I. Tu do vil Bonaparte Quebraste forte as pérfidas algemas: Com esforço , e com arte Illudiste os seus vãos estratagemas: Soubeste castigar com justa pena Os bravos d'Austerlitz , Marengo , e Jena, iimàtmmmÊmmmÊÊmm ESTROFE IL As inermes Donzellas violadas , Assassínios cruéis, roubos horrendos ^ Nefandos sacrilégios , Os feitos estupendos São das Gentes malvadas , Que vindo proteger a Lusa terra Aleivosas lhe fazem crua guerra. antístrofe ii A sua protecção falsa , fingida Converteo-se em feroz atrocidade , Assim que conhecerão A prompta brevidade , Com que foi concluida Do Príncipe Regente a retirada , Que a sua vil astúcia fez frustrada. E P O D O IL Baldados seus intentos Vendo , cheio de raiva , o Corso fero Deixa os váos fingimentos , E com cego furor , qual outro Nero , Decreta destruir as Lusas Quinas Com mortes , com estragos , com rapinas. ES T R O t E TIL Raposa , Lobos , Tigres com .Harpyas O terreno já cobrem Lusitano', E cumprindo feroces As ordens do Tyranno , Por más aleivosias Os Lugares ," as Villas , as Cidades Gemer fazem com sevas crueldtides. mfmimmimmmm^ ^ A N TIS T R O F E IIL Já cl 'Elysia os guerreiros Defensores' ' ', Da Pátria sâo mandados para- a Françatíti« íitu Com barbara fereza , ' • ". >. ' De que nunca descança , A fúria dos traidores i . t k i Privar das armas manda os Portuguezes ; '-> «l> imQ Porque viváo sem susto os máos Francczes. E PODO ma Já todas as riquezas. Do Throno Portuguez , da Fidalguia Sáo limitadas prezas Do vil Napoleão na fantasia , . Que manda seja Lysia desgraçada Em quarenta milhoens de mais mulctada. :j e s t r o f e IV. Para que possa copscrvar sujeita A seu cruel capricho a Lusitânia Este deforme monstro. Cuja brutal insânia Nenhumas Leis respeita , Manda sejáo .levados a: Bayona Os que ter illudido já blazona. antístrofe IV. Alli ,' então perdido todo o pejo , Mil promessas; lhes faz , mil ameaços ; Porque remover possa Os fortes embaraços De seu torpe desejo , Senhor ^ sendo por elles proclamado Do Reino ao Luso Principe usurpado. r é E P o D o IV. Mas oh quant o s'engana A faminta ambição nos seus projectos Cruel , e deshumana ! Já rasgados váo ser os seus Decretos pela dos Lusos nobre valentia , Que da Gallia sacode a Tyrannia. ESTROFE V. Íá o Nome do Príncipe Regente ntre vivas alegres repetidos Os ânimos esforça Dos Lusos abatidos , Que com valor ardente , Quaes LeÓes esforçados , generosos Os Gallos accomettem orgulhosos. antístrofe V. Tu , brioso Sepúlveda , guerreiro , Da bella Lusitânia honra preclara , A Caza de Bragança Com voz sonora , e clara Acclamaste primeiro , Viva o nosso bom Príncipe : dizendo , E c'os Gallos feroz arremettendo. E P O DO V. Os eccos retumbantes Da , que fizeste , acção illustrc , bella Per si foráo bastantes ; ^Porque já sem temor , e sem cautella Os leaes Portuguezes te imitassem , E ledos o seu Príncipe acclamassem. mgmm iMiWim ^ ESTROFE VI. Com desprezo das Leis do Atila novo Já no Porto tremuláo as Bandeiras Do Príncipe dos Lusos : Já falanges guerreiras Do Clero com o Povo Puláo por ver-se ás mãos c'os feros Gallos , E do pátrio terreno exterminallos. antístrofe VI. Em vão seus esquadrões Loason move Para punir os que rebeldes chama : De nada lhe aproveita A raiva , em que s'inflamma , Porque se náo renove Nos Lusos o valor dos seus Antigos , Fataes sempre da Pátria aos inimigos. E P O D O VI. Seis valentes Paisanos Denodados atacão na viagem Os Gallos veteranos ; , Grande parte lhes tomão da bagagem : A b-uscar os comnellem na- fugida Appressados salvar a torpe vida. ESTROFE VII. Da facunda Minerva os bons Alumnos Já seguem de Bellona os Estandartes* Na Lusitana Athenas , Ouaes valerosos Martes Dos novos , cruéis Hunos Os esquadrões soberbos desbaratáo , Prendem huns , ferem outros , outros matão, ililliim;l41:yíU ,.... ....l... . . I I - 1 ' "^ s antístrofe VII. Ja fogem derrotados os Tyrannos Das Províncias do Minho , e Tras-os-Montcs , E bellicosa Beira : Os vís^ monstros bifrontes Ja pagão cos seus damnos A , que urdirão traidora aleivosia Ao Príncipe da Lusa Monarquia. E P O D O VIL Em vão Junot raivoso Os seus a proteger ligeiro corre: O Britanno brioso , Que os Lusos esquadrões prompto soccorrc,, Nos campos da Roliça , e do Vimeiro Nelles faz hum estrago carniceiro. ESTROFE VIII. Já pedem se lhes dê franca sabida Os pérfidos , que entrarão protectores , Temendo receosos , 8ue em seus justos furores s vão deixar- bem vida Aquelies , que roubarão , protegidos , Traidore , s aleivosos , fementidos. ANTÍSTROFE VIIL Já deixão o terreno Lusitano Os Francezes , abutres esfaimados De sangue , e de riquezas: Já vivem libertados , OTrincipe Soberano , Os Lusos , que Vassallos fieis vossos , Cumularão os Gallos de destroços. ^ E P o D o VIIL Feliz com taes Sujeitos Vós , Príncipe benigno , carinhoso l Estes sáo os effeitos Do vosso terno amor , quando saudoso Da vossa Lusitana se retira : Estes hoje descanta a minha Lyra. FIM. WBi X' A' Lusitânia Triunfante dos Gallos. SONETO. N Hum Sólio magestoso , rutilante A bella Lusitânia vi sentada , De louros verdejantes coroada , Banhado de prazer tendo o semblante. Vi também , que a seus pés França arrogante Jazia de furor desatinada , Procurando morder desesperada D'Elysia forte a planta triunfante. Debalde (disse então) monstro aleivoso. Procuras escapar da justa pena , Que merece teu génio revoltoso ; A Suprema Justiça reíla ordena , O Castigo supportes espantoso , A que já todo o Mundo te condemna. José de Góes. SONETOS. A Virtude louvar , cantar4he versos , Os Vícios perseguir , satj/rizalhs , emprego sempre foi dos bons Poetas, JOSINDO NABANCIENSEfe A SUA ALTEZA REAL o príncipe regente KOSSO SENHOR NA RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL". SONETO D E prazer exultai, Príncipe justo ; Já forão derrotados os Francezes , Que pérfidos traidores muitas vezes Ao Vosso Portugal causarão susto. Ver ultrajado o Vosso Nome Augusto Não podendo soffrcr já tantos mezes , Sacudirão os Vossos Portuguezes Do vil Napoleão o jugo injusto. O' Príncipe feliz com taes Vassallos , Que souberáo vingar Vossos Direitos Da torpe usurpação dos feros Gallos ! A Vós querem somente estar sujeitos: Com amor Vós soubestes dominallos : Estes do Vosso amor são os cfFeitos. José dcGóes, r .atftjagf. .n.^'iy.1 »«^/^..^^;>.,.,g^ . 14' ■ Ao Exceli entissimo e Reverendíssimo Senhor Bispo do Porto y Governador Presidente da Junta do Go- verno da mesma Cidade. E SONETO. J Q"«.^ Sacro Pastor, não he bastante. Que sejáo Vossas armas o Cajado ? He preciso de mais , que denodado De lança Vos armeis, e de montante? Que ha de ser q^ande hum Tigre devorante De Tigres outros mil acompahado As ovelhas, que tenho a meu cuidado. Me ataçalháo cruéis a cada instante ? Os que são Portuguczes verdadeiros Vidimas ser náo querem vergonhosas 13' huma horda vil d' infames bandoleiros ; Acções pois obrarei mais façanhosas Por salvallos dos dentes carniceiros De Feras íâo brutaes , tão sanguinosas. J. de G, Ao Senhor José' Lopes de Sousa , Primeiro Motor da Liberdade do Algarve, SONETO. Uem he este Varáo famigerado. Que aos perigos valente se abalança, E sem temor algum d' altiva França , Seus Decretos despreza denodado? Jà não ha Poriugue%es ! Clama irado , E ao cruel Edital prom.pto se avança , Que rasgando raivoso , em terra lança , Para que com seus pés seja calcado. Dize , Clio, não tenhas mais occulto O nome seu iílustre , e glorioso , Que tão digno se faz do nosso culto \ Mas que ? . . . . sim : ouço já cheio de goso , De mil acclamaçoes entre o tumulto , José Lopes de Sousa , Heroe famoso. J. de G, J Pertugal jd Uvre da Tyranníe Franeeza, SONETO. I^i Xulta de prazer , Lysia formosa , Que filhos inda tens Heroes prestantes , Que as espadas brandindo fulgurantes A Gallia destroçarão sangulnosa. Em acção pois tão bcUa , e tão briosa As tuas vestes toma roçagantes , E qual fo&te nos dias teus brilhantes , Te mostra a nossos olhos gloriosa. Os parabéns te dá cheia de gosto Por ter sido tão prestes libertada Do que soffrido tens , cruel desgosto ; E em teus damnos aprende escarmentada , Que dos falsos Francezes o vil rosto Hum' alma cobre pérfida , damnada. J. de G. Jos Illustres Portuguezesy que souberão vingar os insultos feitos d Pátria pelos pérfidos Francezes, SONETO. \cJI^ Ue Graças vos darei , e que louvores , Inclytos Portuguezes valorosos , Que exterminar soubestes corajosos Da vossa Pratria os vis usurpadores ? Sem temor dos seus bárbaros furores , ' Quaes Lcoens destemidos , generosos , Que largassem fizestes pressurosos , A preza , de que estavão já senhores. Da Fama nos Annáes serão escritos Vossos nomes , e vossa valentia Nas pelejas , combates , e confliflos ; E eu sempre cantarei a galhardia , Com que fortes puniste.> os delidos Pa , que França vos fez , aleivosia J, de G. m SONETO. X Nteiros Magistrados J^iísitanos , Que puniz da justiça os offensores , Como podeis soffrer inda os traidores , Que as máximas approvão dos Tyrannos \ Porque cabo nâ© dais desses Sejanos Do nome Poriuguez ultrajadores , E d' Africa os mandais ser moradores , Onde váo praticar seus loucos planos } Vede , que assim o manda a sã justiça : Vede , que o Bem commum assim o' pede * Negar^lho não podeis sem injustiça. Quem c' os povos viver inda concede A quem da sedição o fogo atiça , -O publico socego , c paz impede. J,dcG. A B onaparte. S O N E T O. \J^\5q hc isto , Bonaparte? Que -fizeste ,' Que perdido já tens todo o conceito , E faltando te vai o vão respeito , Que dos teus Partidistas já tiveste ? Tu , louco , ^Portugal partir quizeste Ind'an^es d' a teu mando estar sujeito , E com esta manobra , este tregeito Enganar de Gastella o Rei soubeste. Se mais não avançaras , nem quizeras A José , Irmáo teu , dar as Hespanhas , Talvez quanto querias, tudo houveras; Mas tendo conhecido as torpes manhas, Que^ palpar nos íizeráo , quem tu eras , A nmguem lográo mais tuas maranhas. r\ J. de G. mmm am A Lagarde, S O N Ê TO. I vM Onstro feroz , brutal , sem fé , scm brio , Cruel Algoz de sangue insaciável , Por mortes e rapinas detestável , Do fero Corso imitador bogio , Que he do teu insensato desvario ? Que he da tua cobiça abominável ? Que he da tua fereza inexorável ? Que he do teu insultante poderio ? Foge de nós , Lagarde , a todo o pano , Se desejas Salvar a torpe vida Do braço valeroso Lusitano. Vê , se não aceleras a partida , Talvez levar não possas ao Tyranno As novas de que França foi vencida. J. de Cr. A Tomiers fugindo só por ouvir o estrondo da nossa Arúlheria no Forte da Nazareth, o SONETO. H lá , meu Tomiers , vem cá , não fujas. De que foges ? Cobarde ! Náo reparas , Que a fugida , a que fraco te preparas , Em tudo s' assemelha á das Corujas ? Porque causa o temor não sobrepujas Dessas , que te parecem , forças raras: De mais perto as conheces , fazes claras: Com ellas teu valor desenfcrrujas Já vejo que es poltrão , que es vil sendeiro ; Pois foges so d' ouvir a Artilheria , Qual do som da pistola o bandoleiro. Ora deixa por tanto a vá mania De querer ostentar de grão Guerreiro; • Tomar o nome vai de Mãe Maria. J. d^G, ff IS A Bnnier pre%Q na batalha da Vimeire, SONETO. JLfíA Onstro de crueldade, e de fereza, Emissário do fej^o Bonaparte , Como te não valeo tua vil arte Para deixar de ser dos nossos preza ? De nada te sérvio tua destreza: Náo podeste fugir , nem escapar-te Dos golpes , que te deo hum Luso Marte , Dando-te a conhecer sua braveza. Agora ficarás desenganado Que se crião na Lysia Heroes valentes , E d' animo , robusto , e denodado. A todos poderás fazer patentes Os golpes , com que então foste cortado , % com elles mostrar-lhes que não mentes. J. de G, A Novion. SONETO. i Ngrato Novion , traidor infame , Assim pagaste o bom acolhimento , eue achaste no teu grande abatimento , ue tiveste no teu maior vexame ? Deixa d' ingratidão monstro te chame ; Pois com peito doloso , fraudulento , Para chegar ao fim áo teu intento Cometteste de crimes hum enxame. Tu , pérfido faltaste á lealdade Ao Príncipe dos Lusos promettida , Por dos Gallos segu*ir a falsidade. Bem fizeste por isso na partida Unir-te c' os authores da maldade ; Pois somente cOm ellcs terás vida. J, dcG. WÊÊÊKHM. 19 Aos bravos d' AusierJitZ , e Marengê. SONETO. ^ A estais esquecidos das proezas Que^ a Fama divulgou das vossas glorias , E só hoje sabeis contarj vldorias Conseguidas a troco de vilezas ! Quaes são sabemos já vossas fraquezas , Delias cheias estão nossas Historias: Firmes sempre teremos nas memorias As , que tendes obrado , vis baixczas. Porque náo consentis fiquem armados Esses , que blazonais estar vencidos , E da Pátria os mandais ir desterrados ? He , sim , porque temeis ser rebatidos , Se náo forem de todo desarmados , Os que forão por vós sempre temidos. J, de G. A Lahordc , vendendo o melhor que podia o que saqueou , principalmente do Palácio do Duque do Cadaval, SONETO. \Jj Ue he isto , meu Laborde , nãJ tens susto Que se diga de ti que es ladrão raro ; Pois os furtos , que fazes , vendes caro , Sendo delles senhor a nenhum custo ? Mostra ao menos nas vendas , que es mais justo ^ E dos alheios bens não es avaro ; Nem tu queiras causar novo reparo Por querellos vender por preço injusto. Os que em Casa do Duque arrebataste Sabemos todos como os tens vendido: Faze o mesmo c' os mais , que ja roubaste. Este o meio será , para que tido Na má quadrilha sejas por bom traste , O melhor dos Ladrões , que tem havido. J. de G, wmmmm>^''^l^:j-jL^-, '^mmn m.